quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Real things to write about
I know it may sounds crazy to you, but the wind talked to me this noon. He was bleeding upon my neck, getting me thrilled, and he was doing it to all the other female creatures I saw around: leaves, trees, flowers, other girls. He was there and everywhere, shouting his name at loud among the dead wood, swipping the pages of my notebook and blowing with violence. He told me that he would like to be a twister, that he was feeling empty on that stupid function. And, suddenly, he invaded my underwear. I don´t know if he knows, but I´m gonna tell this to my boyfriend. Boring wind. Can´t you see you´re annoying me? Why don´t you go find somebody else to bother with your cry? In fact, I´m tired of writting about things I can´t touch. Wind. Love. Hate. Revolution. It´s better to write about food. Fingers. Cock. Yeah! Cock sounds great! That´s such good literary material. But here between us, writting about it? There are so much better things to do with... (6)
Semana
Segunda-feia
Terça-feia
Quarta-feia
Quinta-feia...
Sexta-bonita.
Terça-feia
Quarta-feia
Quinta-feia...
Sexta-bonita.
Beautifool
Pra cá, pra lá
Pra cá, pra lá
Elas avançam sem vacilar
Arrastando rabos-de-peixe
E olhares tontos.
Não lhes pergunte sobre
A crise americana,
A geopolítica da Guatemala,
Ou mesmo Machado de Assis
Elas dão de ombros.
Seus rostos embonecados
Milimetricamente maquiados
Apenas ocultam o vazio óbvio e enjoativo
que mora em suas cabeças.
Alimente-as
Com coca-cola, caviar e cocaína
That´s the way they like it.
Dê-lhes o greencard da melhor boate
Da maior noite
Então entorpeça-as com diamantes
Cubra-as de hematomas
e faça sexo com elas.
Interne-as
Seja numa clínica de desintoxicação ou de estética
E divulgue pelo google uma biografia não-autorizada delas. Elas lhe agradecerão.
Seus olhares poderosos, seus esquálidos corpos,
Sorrisos tristes, sem culpas ou remorços
A etiqueta do suicídio elas conhecem de cor.
Da Ucrânia a Cabul,
Beautifool.
Pra cá, pra lá
Elas avançam sem vacilar
Arrastando rabos-de-peixe
E olhares tontos.
Não lhes pergunte sobre
A crise americana,
A geopolítica da Guatemala,
Ou mesmo Machado de Assis
Elas dão de ombros.
Seus rostos embonecados
Milimetricamente maquiados
Apenas ocultam o vazio óbvio e enjoativo
que mora em suas cabeças.
Alimente-as
Com coca-cola, caviar e cocaína
That´s the way they like it.
Dê-lhes o greencard da melhor boate
Da maior noite
Então entorpeça-as com diamantes
Cubra-as de hematomas
e faça sexo com elas.
Interne-as
Seja numa clínica de desintoxicação ou de estética
E divulgue pelo google uma biografia não-autorizada delas. Elas lhe agradecerão.
Seus olhares poderosos, seus esquálidos corpos,
Sorrisos tristes, sem culpas ou remorços
A etiqueta do suicídio elas conhecem de cor.
Da Ucrânia a Cabul,
Beautifool.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Trancado na garganta
Meu pai está doente e, desde então, nosso contato tem sido muito superficial. Não é por conta da doença, isso jamais. Mas há bem três meses nossa relação estreitou-se tanto que limita-se ao indispensável. Isso não me faz bem. É quase inconfessável, mas não consigo fingir felicidade plena mantendo uma relação decadente com aquele cuja presença foi visceral nestes últimos 20 anos. Tento, mas o olhar dele - aliás, seu não-olhar - é inescapável punhalada no meu coração.
E hoje, tão sem porquê, ele estava na garagem da minha casa e, olhando-o da varanda, me dei conta disso. Por uma tolice. Acontece que meu pai é um homem de 52 anos e, ultimamente, é um tanto raro que homens nessa faixa etária ainda mantenham uma farta e negra cabeleira; o que é seu caso. Meu pai é e sempre foi muito orgulhoso de seus cabelos, e de repente, notei, do ângulo que o fitei, que seu cabelo perdera o viço, a cor e o volume. Notei que sua pele enrugou, empalideceu. Este vislumbre, trágico, trouxe consigo mais que uma vertigem física. Esse foi o mais memorável soco que recebeu o lado rancoroso de mim. Meu pai envelheceu consideravelmente nos últimos 10 meses. Sempre me deu tudo o que estava ao seu alcance, desde o essencial ao supérfluo, e é essa a minha grandicíssima gratidão: minha incrível capacidade de sobrepor todas as nossas picuínhas e problemas por tudo de bom que ele me proporcionou e fez durante toda a minha vida. Meu singular talento em ruminar seus defeitos, engolí-los e trazê-los de volta à boca, com um gosto cada vez pior. Em momento algum eu posso relevar o fato de que sua hepatite leva-o a tomar fortíssima vacina, que o deixa física e psicologicamente abalado, ou a fraqueza existente em mim de olhar pra dentro e reconhecer meus próprios defeitos. O que mais me dói é que, conforme alimentei esse rancor estúpido, o mesmo necrosou minha capacidade de amar meu pai, como coisa que se desaprende. O orgulho parece ter salgado o meu peito.
Centenas de pessoas, milhares até, dariam tudo para estar na minha condição enquanto filha de José Gonçalves, humilde enfermeiro, budista fervoroso, pessoa simpática e bem quista por natureza. E parece que sou a única pessoa que negligencia ou ignora este privilégio, e isto é um puro dissabor. Não dá pra esquecer um pai que, por mais ausente que tenha ficado durante a minha infância - sempre por conta de trabalho - estava lá. Me vendo, de alguma forma, orando por mim à sua maneira. É impossível dissociar assim, de uma hora para outra, todas as lágrimas que ele chorou comigo e por mim; a madrugada de seu aniversário que me levou às pressas para o hospital, quando cantava pra mim quando eu era pequena, o momento epifânico que testemunhou minha menarca. Não se esquece esse tipo de coisa; coração nenhum é capaz de tal frieza.
Eu o amo tanto, só não estou sabendo dizer isso. Seu jeito simples e atrapalhado. Suas mãos grandes. Sua teimosa positividade. Seu olhar seguro.
Eu o amo, tanto.
E hoje, tão sem porquê, ele estava na garagem da minha casa e, olhando-o da varanda, me dei conta disso. Por uma tolice. Acontece que meu pai é um homem de 52 anos e, ultimamente, é um tanto raro que homens nessa faixa etária ainda mantenham uma farta e negra cabeleira; o que é seu caso. Meu pai é e sempre foi muito orgulhoso de seus cabelos, e de repente, notei, do ângulo que o fitei, que seu cabelo perdera o viço, a cor e o volume. Notei que sua pele enrugou, empalideceu. Este vislumbre, trágico, trouxe consigo mais que uma vertigem física. Esse foi o mais memorável soco que recebeu o lado rancoroso de mim. Meu pai envelheceu consideravelmente nos últimos 10 meses. Sempre me deu tudo o que estava ao seu alcance, desde o essencial ao supérfluo, e é essa a minha grandicíssima gratidão: minha incrível capacidade de sobrepor todas as nossas picuínhas e problemas por tudo de bom que ele me proporcionou e fez durante toda a minha vida. Meu singular talento em ruminar seus defeitos, engolí-los e trazê-los de volta à boca, com um gosto cada vez pior. Em momento algum eu posso relevar o fato de que sua hepatite leva-o a tomar fortíssima vacina, que o deixa física e psicologicamente abalado, ou a fraqueza existente em mim de olhar pra dentro e reconhecer meus próprios defeitos. O que mais me dói é que, conforme alimentei esse rancor estúpido, o mesmo necrosou minha capacidade de amar meu pai, como coisa que se desaprende. O orgulho parece ter salgado o meu peito.
Centenas de pessoas, milhares até, dariam tudo para estar na minha condição enquanto filha de José Gonçalves, humilde enfermeiro, budista fervoroso, pessoa simpática e bem quista por natureza. E parece que sou a única pessoa que negligencia ou ignora este privilégio, e isto é um puro dissabor. Não dá pra esquecer um pai que, por mais ausente que tenha ficado durante a minha infância - sempre por conta de trabalho - estava lá. Me vendo, de alguma forma, orando por mim à sua maneira. É impossível dissociar assim, de uma hora para outra, todas as lágrimas que ele chorou comigo e por mim; a madrugada de seu aniversário que me levou às pressas para o hospital, quando cantava pra mim quando eu era pequena, o momento epifânico que testemunhou minha menarca. Não se esquece esse tipo de coisa; coração nenhum é capaz de tal frieza.
Eu o amo tanto, só não estou sabendo dizer isso. Seu jeito simples e atrapalhado. Suas mãos grandes. Sua teimosa positividade. Seu olhar seguro.
Eu o amo, tanto.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Dilemas temporários
Eu nunca nasci, tampouco estou fadado a morrer, como vocês. Eu não tenho idade, não tenho umbigo nenhum. Sou oniciente, sei tudo o que você fez tanto no verão passado como em todos os outros. Estou lá e aqui. A minha função é passar. Nada escapa do meu alcance: formigas, letras, sequóias, galáxias; eu consumo tudo, tudo me pertence. A única certeza que tenho é que por mais que eu passe, enquanto acumulo rugas no seu rosto, eu sempre sou. Não envelheço, meu caráter é o mesmo desde sempre e, ao contrário do que pensam, eu não mato ninguém. Vocês obedecem, apenas a um ciclo, como todas os outros seres vivos.
Há toda sorte de definições a meu respeito, mas por decerto não visto nenhuma delas. Eu estou aqui antes de Deus, tanto o que foi criado por vocês quanto o que realmente existe.
A despeito da concepção individualista, em primeiríssima mão venho te confessar um grande segredo: eu sou absolutamente constante. Uns alegam que não me têm; outros dizem que me têm demasiadamente e não sabem o que fazem comigo. EU te digo: mentira. Todos me possuem exatamente na mesma proporção; o que os difere é a forma com a qual me administram. Pôr a culpa em mim? Desaforo. Logo eu, que sou tão solícito, justo, invariavelmente imparcial e, como dizem tantas culturas populares, sábio.
Sabedoria. Sou sábio de verdade? É sábio observar tudo o que eu passo? Não, não é. É interessante. Acho que os seres humanos admitem esse conceito baseado em coisas, cargos ou pessoas que demoram pra conquistar, daí dizem que eu sou sábio. Mas sábio, eu? Não. Sábia é a perseverança; eu só sou a distância entre ela e o que quer que for.
Eu sou passagem, sempre. Nesse ponto, eu e você convergimos. Eu obedeço a uma função imorredoura de passar, e passar, e passar, e passar. Nada é eterno, somente eu, que aqui estou e para sempre ficarei. Mas vocês podem fazer a diferença, e ficar em mim por um bom tempo.
Por um bom tempo.
Nada é eterno além de mim, como eu já disse.
Há toda sorte de definições a meu respeito, mas por decerto não visto nenhuma delas. Eu estou aqui antes de Deus, tanto o que foi criado por vocês quanto o que realmente existe.
A despeito da concepção individualista, em primeiríssima mão venho te confessar um grande segredo: eu sou absolutamente constante. Uns alegam que não me têm; outros dizem que me têm demasiadamente e não sabem o que fazem comigo. EU te digo: mentira. Todos me possuem exatamente na mesma proporção; o que os difere é a forma com a qual me administram. Pôr a culpa em mim? Desaforo. Logo eu, que sou tão solícito, justo, invariavelmente imparcial e, como dizem tantas culturas populares, sábio.
Sabedoria. Sou sábio de verdade? É sábio observar tudo o que eu passo? Não, não é. É interessante. Acho que os seres humanos admitem esse conceito baseado em coisas, cargos ou pessoas que demoram pra conquistar, daí dizem que eu sou sábio. Mas sábio, eu? Não. Sábia é a perseverança; eu só sou a distância entre ela e o que quer que for.
Eu sou passagem, sempre. Nesse ponto, eu e você convergimos. Eu obedeço a uma função imorredoura de passar, e passar, e passar, e passar. Nada é eterno, somente eu, que aqui estou e para sempre ficarei. Mas vocês podem fazer a diferença, e ficar em mim por um bom tempo.
Por um bom tempo.
Nada é eterno além de mim, como eu já disse.
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