Muito mais imaginativa que Akira Kurosawa, eu me definiria. Se você ainda não viu, assista "Sonhos", desse diretor japonês incrivelmente criativo e profundo. Mas hoje não pretendo explorar a temática de Kurosawa, mas, a minha própria.
Passo muitas horas na frente do computador na parte da noite, antes de dormir. Não sei se é isso que gera a minha hiperatividade durante as minhas poucas horas de sono, mas o fato é que eu tenho sonhos muito bizarros, como os de hoje. Ah, quer que eu te conte? Vamos lá.
Sonhei que era uma índia muito, mas muito gostosa. Não adianta vocês me zuarem porque era sonho mesmo. Eu tinha pele dourada e longos cabelos negros, bem Iracemada, bem idílica, envolta num lugar muito parecido com o que seriam as praias do Brasil quinhentista. Nesse interím chegam à mesma praia duas pessoas. Lenine e Gabriel o Pensador! Eu sei que vocês devem estar é rindo da situação, mas eu não inventei isso gente, eu sonhei com isso mesmo!! Sim, Lenine e Gabriel. Bom, eles viram a índia peladona (e gostosa, vale lembrar) passeando pra lá e pra cá e se apaixonaram. A índia? Bom... ela foi criada com conceitos muito legais e heterodoxos de poligamia, ou seja, ela queria... os dois. Certa vez, Lenine estava na rede com a índia (eu, né) e fazendo carinho nos cabelos dela. Quando Gabriel chega perto dele, olha para o corpo da morena e fala: "visão bonita, hein?" Ela, por sua vez, ri para os dois moços.
Eis que a índia Ana, um belo dia, sai sozinha pelo mato, quando topa com Gabriel. Este a olha gulosamente e começa a acariciar seu corpo, e ela, muito receptiva, cede aos encantos espanhóis do homem. Lenine descobre e, o que antes era amizade entre os dois, transforma-se numa disputa pelo coração de Ana.
Tá, a essa altura você já deve estar achando que eu romantizei e ficcionei totalmente o sonho, né? Mas não gente, no sonho foi isso mesmo! Só que (é sem sentido mesmo o que vou contar agora, mas foi assim que aconteceu) a praia - ou Ilha - onde era a morada da índia Ana, estava sendo ameaçada por um vulcão e por dinossauros - isso mesmo, dinossauros - que estavam saindo das lavas. E assim acabou o sonho, o delicioso sonho do triângulo barroco mais 'hot' da contemporaneidade. Não teve explicação para o sumiço de Gabriel e Lenine, fato muito comum em todos os meus bizarros sonhos para os personagens então centrais.
Adoro sonhar, e tenho a sorte de sonhar toda noite. Nem sempre são sonhos bons, mas eu sonho sempre. Acho que é porque eu durmo pouco, e sonhar é tão gostoso, apesar do meu tempo (voluntariamente) limitado pra fazê-lo. Não sei - nem acredito - se exista alguém com tanta criatividade 'rêmica' quanto eu. Se você tiver sonhos assim, bizarros quanto os meus, me conte, porque às vezes eu me sinto como se fosse a única nesse mundo com essa faculdade...
quinta-feira, 26 de junho de 2008
terça-feira, 24 de junho de 2008
Você não tem mais dez anos
Você não tem mais 10 anos. Já pode sair à noite, tomar umas cervejas com os amigos e disseminar um pouco – aconselhável – do seu sexo por aí. Você não pode mais pensar que amanhã dará tempo, porque sabe da hora do rush, sabe que seu chefe quer uma planilha exemplar e que sua crônica enxaqueca não vai fazer o mundo parar. Você está encarregado de correr para sempre, e sempre sem direção; porque você não tem mais 10 anos. Às vezes, você pensa em desistir, você pensa em jogar tudo pro alto; o professor pega no seu pé e a absorção da matéria é impossível. Os monstros verde e roxo foram embora pra sempre e te deixaram sozinho no quarto. Ou você pode fantasiar que eles metamorfosearam-se em promissórias, em angústias, na síndrome do pânico, em dívidas. E então você bebe, pra esquecer. E chora pra equilibrar.
Sim, infeliz ou felizmente você não tem mais 10 anos. E, quando no raro instante em que se deita e olha para o teto, lembra-se do joelho ralado, do último dente de leite, dos sonhos com beijos e da então – hoje – estúpida vontade de crescer. Mas você é devolvido à realidade num baque surdo do despertador que anuncia uma outra atividade qualquer do seu dia, e com ele, a certeza da continuidade, a teimosa possibilidade de melhorar as coisas, uma brasileirice inerente isso, talvez. Entretanto, este é o barco fantasma que nos guia no mar arredio da vivência – ou dessa estética mecanicista de vida. Apesar da bela roupagem, esse saudosismo no fundo é um sintoma que a passagem do tempo, para você, não está sendo uma coisa boa, então, o que fazer?
Você sabe? Eu não sei.
Sim, infeliz ou felizmente você não tem mais 10 anos. E, quando no raro instante em que se deita e olha para o teto, lembra-se do joelho ralado, do último dente de leite, dos sonhos com beijos e da então – hoje – estúpida vontade de crescer. Mas você é devolvido à realidade num baque surdo do despertador que anuncia uma outra atividade qualquer do seu dia, e com ele, a certeza da continuidade, a teimosa possibilidade de melhorar as coisas, uma brasileirice inerente isso, talvez. Entretanto, este é o barco fantasma que nos guia no mar arredio da vivência – ou dessa estética mecanicista de vida. Apesar da bela roupagem, esse saudosismo no fundo é um sintoma que a passagem do tempo, para você, não está sendo uma coisa boa, então, o que fazer?
Você sabe? Eu não sei.
Pior que a tristeza
Boa noite, meus hipotéticos e queridos leitores. Hoje, me sinto um tanto quanto envolvida numa nuvem de letargia, o que me inclina para um assunto quase óbvio. Faz 23 graus esta noite aqui, no Rio de Janeiro. Gozado, tenho um namorado que estava dormindo comigo há dois dias, no maior amor; minha melhor amiga acaba de chegar à cidade, fervilhando de vontade de sair, para curtir uma festa qualquer. E eu? O que penso disso tudo?
Minha resposta é simples, e mais direta, impossível: estou de MAU HUMOR. MUITO MAU HUMOR, diga-se de passagem. E sono. E desgosto. É como se este feriado estupidamente ensolarado não tivesse valido de nada – que Deus perdoe esse meu egoísmo – porque eu simplesmente não me diverti. E a impressão é de que não o farei.
Numa tabela das piores emoções, em primeiríssimo lugar eu consideraria o remorso. Afinal, é aquela vontade inútil de tentar fazer o tempo voltar atrás. Mas em segundo – e quase competindo com o primeiro – não entram nem raiva, nem tristeza, nem ódio: o segundo pior sentimento que odeio sentir é o tédio. Oh Deus, o tédio. É como olhar por um aquário durante três minutos e achar que ficou ali durante dez semanas. É a obsessão em brincar de adiantar os ponteiros do relógio. É retirar o esmalte das unhas no dente, é uma elegia à loucura. O tédio me enlouquece, sabiam? Eu simplesmente tenho horror do tédio, dá uma vontade de chorar, quase supera a TPM. E o pior é que o tédio, quando me invade, não deixa lugar para nada: apesar de eu tentar improvisar outras atividades, o tédio vem e arrebata qualquer raiz de qualquer outro projeto. É um erva daninha, o tédio.
Ando de um lado para o outro dentro de minha modesta casa, e sinto como se ela tivesse quadruplicado de tamanho. Ai, que vazio, que desalento. Estar sozinha numa casa com três pessoas que tão bem me conhecem. Discutir com um namorado que amo.
Tudo por conta do tédio.
Verdade é que, por sorte minha, meu tédio é efêmero – ou eu espero que seja. Espero que, depois daquele banho, daquela maquiagem e de uma boa injeção de auto-estima – nem que seja disparada por um estranho - eu volte a ser a mesma Ana sorridente e espevitada que me é característica, porque eu já moro em prédio, e decididamente não espero seguir o exemplo do Bruno, do Biquíni Cavadão.
Minha resposta é simples, e mais direta, impossível: estou de MAU HUMOR. MUITO MAU HUMOR, diga-se de passagem. E sono. E desgosto. É como se este feriado estupidamente ensolarado não tivesse valido de nada – que Deus perdoe esse meu egoísmo – porque eu simplesmente não me diverti. E a impressão é de que não o farei.
Numa tabela das piores emoções, em primeiríssimo lugar eu consideraria o remorso. Afinal, é aquela vontade inútil de tentar fazer o tempo voltar atrás. Mas em segundo – e quase competindo com o primeiro – não entram nem raiva, nem tristeza, nem ódio: o segundo pior sentimento que odeio sentir é o tédio. Oh Deus, o tédio. É como olhar por um aquário durante três minutos e achar que ficou ali durante dez semanas. É a obsessão em brincar de adiantar os ponteiros do relógio. É retirar o esmalte das unhas no dente, é uma elegia à loucura. O tédio me enlouquece, sabiam? Eu simplesmente tenho horror do tédio, dá uma vontade de chorar, quase supera a TPM. E o pior é que o tédio, quando me invade, não deixa lugar para nada: apesar de eu tentar improvisar outras atividades, o tédio vem e arrebata qualquer raiz de qualquer outro projeto. É um erva daninha, o tédio.
Ando de um lado para o outro dentro de minha modesta casa, e sinto como se ela tivesse quadruplicado de tamanho. Ai, que vazio, que desalento. Estar sozinha numa casa com três pessoas que tão bem me conhecem. Discutir com um namorado que amo.
Tudo por conta do tédio.
Verdade é que, por sorte minha, meu tédio é efêmero – ou eu espero que seja. Espero que, depois daquele banho, daquela maquiagem e de uma boa injeção de auto-estima – nem que seja disparada por um estranho - eu volte a ser a mesma Ana sorridente e espevitada que me é característica, porque eu já moro em prédio, e decididamente não espero seguir o exemplo do Bruno, do Biquíni Cavadão.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
O desentretenimento e a cidade
Não devia, mas eu estou particularmente abismada com a exigência pobre dessas brasileiras que se deslumbram com um universo discrepante que recentemente estreou nos cinemas, e que estão fazendo filas para assisti-lo. O nome do sucesso é “Sex and the city – o filme” e, com o perdão dos fãs, o que já era ruim ficou ainda pior.
Nunca fui dada a seriados, principalmente americanos, a menos que tivessem um fundo histórico, ou de estudo social, ou minimamente cultural. Acontece que especialmente “Sex and the city” tem um contingente maciço de seguidores, e minha inocente pergunta destoa de uma massa uníssona: porquê? Porque tanta promoção e tanto barulho em torno desse filme? O que leva os nossos espectadores – e os de lá – a irem à tela grande, senão um enredo fraco, crivado de uma vastíssima coleção de clichês cansados retirados de livros de auto-ajuda destinados ao público feminino, ou de conteúdo meramente prescritivo quanto a relacionamentos, que são tomados como verdade absoluta numa Nova Iorque que só existe na tela? A mulher americana parece estar habituada à manualizações de todas as coisas, ignorando a ordem natural ou espontânea dos eventos da vida. Elas criam um “how to” de uma primeira noite de sexo, de como dançar, de como reagir ante a cada situação, e isso me incomoda por ser de uma estética tão mecanicista. Ok, segundo a minha intuição, isto está mais para um fenômeno cultural recente que uma padronização social propriamente dita. Mas o mais incrível é como tanta brasileira incauta cai nessa. Gosto de fantasiar que trata-se daquele impacto superficial “legal” que uma outra cultura fora da nossa realidade causa, porém, se passar disso, se essas mulheres começarem a adotar esses conceitos, coordenar todas as suas ações a partir deles e abdicar de sua brasilidade, aí acho babaquice.
Eu não vi – nem verei – este filme, porque seu recheio tá com fermento de menos. Acho de uma paciência otária esperarmos por produções americanas com um fundo mais sério, isso atualmente falando e excluindo desse lastimável panorama diretores como David Lynch, Martin Scorcese, Oliver Stone, Woody Allen e afins. Pior ainda é pensar que essa obra é o programa perfeito para o 12 de junho. É muita falta de criatividade pensar assim, mas não obrigo ninguém a concordar comigo.
Talvez eu até mude de idéia. Talvez eu assista ao tal filme. Mas, obviamente, depois que ele chegar às locadoras, e isso só para conferir os tão afamados sapatos de Sarah Jéssica Parker. Hum... pensando melhor, acho que isso não vale nem os três reais da locação. Pensando bem, já desisti.
:/
Nunca fui dada a seriados, principalmente americanos, a menos que tivessem um fundo histórico, ou de estudo social, ou minimamente cultural. Acontece que especialmente “Sex and the city” tem um contingente maciço de seguidores, e minha inocente pergunta destoa de uma massa uníssona: porquê? Porque tanta promoção e tanto barulho em torno desse filme? O que leva os nossos espectadores – e os de lá – a irem à tela grande, senão um enredo fraco, crivado de uma vastíssima coleção de clichês cansados retirados de livros de auto-ajuda destinados ao público feminino, ou de conteúdo meramente prescritivo quanto a relacionamentos, que são tomados como verdade absoluta numa Nova Iorque que só existe na tela? A mulher americana parece estar habituada à manualizações de todas as coisas, ignorando a ordem natural ou espontânea dos eventos da vida. Elas criam um “how to” de uma primeira noite de sexo, de como dançar, de como reagir ante a cada situação, e isso me incomoda por ser de uma estética tão mecanicista. Ok, segundo a minha intuição, isto está mais para um fenômeno cultural recente que uma padronização social propriamente dita. Mas o mais incrível é como tanta brasileira incauta cai nessa. Gosto de fantasiar que trata-se daquele impacto superficial “legal” que uma outra cultura fora da nossa realidade causa, porém, se passar disso, se essas mulheres começarem a adotar esses conceitos, coordenar todas as suas ações a partir deles e abdicar de sua brasilidade, aí acho babaquice.
Eu não vi – nem verei – este filme, porque seu recheio tá com fermento de menos. Acho de uma paciência otária esperarmos por produções americanas com um fundo mais sério, isso atualmente falando e excluindo desse lastimável panorama diretores como David Lynch, Martin Scorcese, Oliver Stone, Woody Allen e afins. Pior ainda é pensar que essa obra é o programa perfeito para o 12 de junho. É muita falta de criatividade pensar assim, mas não obrigo ninguém a concordar comigo.
Talvez eu até mude de idéia. Talvez eu assista ao tal filme. Mas, obviamente, depois que ele chegar às locadoras, e isso só para conferir os tão afamados sapatos de Sarah Jéssica Parker. Hum... pensando melhor, acho que isso não vale nem os três reais da locação. Pensando bem, já desisti.
:/
quarta-feira, 18 de junho de 2008
O reflexo e a reflexão
Olá meus caros leitores. Hoje lhes proponho um desafio. Vocês saberiam distinguir o reflexo da reflexão? Saberiam?
Não se enganem pela semelhança da escrita, muito menos me façam a proeza de dizer que reflexão é o aumentativo de reflexo. Rs. Reflexo e reflexão são duas coisas que andam de mãos dadas, mas se aplicam em situações bem distintas, embora, muito embora, as duas se apliquem muito comumente em contextos errados.
Sabe quando estamos com preguiça, e, diante de algo que exige certa estratégia fazemos somente o óbvio? Então. Seguimos o reflexo, esse modo econômico de se chegar ao desfecho de uma situação, sem brilhantismo nem esforço. Entretanto, se refletimos e botamos os nossos neurônios pra queimar umas calorias – eles estão aí pra isso mesmo – então, reflexionamos. E, tcharam, as pessoas vão nos olhar por cima, como quem está perante alguém que demonstrou habilidade ante circunstância adversa. Mas imagino que você deva estar se perguntando “e daí, Ana, em que isso me afeta?”, e eu tenho sua resposta pronta.
Somos, a todo tempo, tentados a fazer somente o óbvio, seja pelo encurtamento da tarefa, seja pela preguiça mesmo ou – indo mais longe ainda na imaginação – pelo mundo favorável e conspiratório ao nosso fracasso. E a minha dica de hoje é: surpreenda. Surpreenda, sempre que puder, com muito mais do que as pessoas esperam de você. Principalmente, surpreenda a si mesmo, que a transcendência nos eleva tão prazerosamente que chegamos a admirar nós mesmos. Dê o máximo de si na realização de qualquer tarefa, por mais leviana que seja. Você não quer excelência dos outros? Então. Não seja bom. Seja excelente. Execute com precisão absoluta aquilo para que você for designado, sempre que puder. Não deixe se absorver pelo reflexo, porque isto nada mais é que a desistência comum tentando lhe vencer. Quando o produto de seu trabalho não for o melhor, você terá a consciência de que fez o que pôde.
A pressão do nosso agitado dia-a-dia nos inclina ao cansaço, e isso é absolutamente natural. Só que a fortaleza em ser criativo, ou mesmo encarar de bom humor uma situação complicada é que nos destaca em um meio. Não, não estou te dizendo que você não pode falhar em momento algum, que a perfeição deva ser o seu primeiro e máximo preceito, afinal, você é tão humano quanto eu e está sujeito ao fracasso. Mas, se você pode fazer determinada coisa com primazia, porque fazer mais ou menos? Se pode dar um sorriso diante do ônibus que perdeu, porque revoltar-se com o mundo e – pior – descontar nas outras pessoas, que nada têm a ver com nossas falhas?
Pratique a reflexão enquanto filosofia de vida, essa é a minha dica de hoje. Seja mais paciente, ainda que a paciência seja impensável. Peça, dê licença. Responda “obrigado”, sorria para as pessoas na rua. Se conseguir tal façanha, me ensine a ser assim.
Não se enganem pela semelhança da escrita, muito menos me façam a proeza de dizer que reflexão é o aumentativo de reflexo. Rs. Reflexo e reflexão são duas coisas que andam de mãos dadas, mas se aplicam em situações bem distintas, embora, muito embora, as duas se apliquem muito comumente em contextos errados.
Sabe quando estamos com preguiça, e, diante de algo que exige certa estratégia fazemos somente o óbvio? Então. Seguimos o reflexo, esse modo econômico de se chegar ao desfecho de uma situação, sem brilhantismo nem esforço. Entretanto, se refletimos e botamos os nossos neurônios pra queimar umas calorias – eles estão aí pra isso mesmo – então, reflexionamos. E, tcharam, as pessoas vão nos olhar por cima, como quem está perante alguém que demonstrou habilidade ante circunstância adversa. Mas imagino que você deva estar se perguntando “e daí, Ana, em que isso me afeta?”, e eu tenho sua resposta pronta.
Somos, a todo tempo, tentados a fazer somente o óbvio, seja pelo encurtamento da tarefa, seja pela preguiça mesmo ou – indo mais longe ainda na imaginação – pelo mundo favorável e conspiratório ao nosso fracasso. E a minha dica de hoje é: surpreenda. Surpreenda, sempre que puder, com muito mais do que as pessoas esperam de você. Principalmente, surpreenda a si mesmo, que a transcendência nos eleva tão prazerosamente que chegamos a admirar nós mesmos. Dê o máximo de si na realização de qualquer tarefa, por mais leviana que seja. Você não quer excelência dos outros? Então. Não seja bom. Seja excelente. Execute com precisão absoluta aquilo para que você for designado, sempre que puder. Não deixe se absorver pelo reflexo, porque isto nada mais é que a desistência comum tentando lhe vencer. Quando o produto de seu trabalho não for o melhor, você terá a consciência de que fez o que pôde.
A pressão do nosso agitado dia-a-dia nos inclina ao cansaço, e isso é absolutamente natural. Só que a fortaleza em ser criativo, ou mesmo encarar de bom humor uma situação complicada é que nos destaca em um meio. Não, não estou te dizendo que você não pode falhar em momento algum, que a perfeição deva ser o seu primeiro e máximo preceito, afinal, você é tão humano quanto eu e está sujeito ao fracasso. Mas, se você pode fazer determinada coisa com primazia, porque fazer mais ou menos? Se pode dar um sorriso diante do ônibus que perdeu, porque revoltar-se com o mundo e – pior – descontar nas outras pessoas, que nada têm a ver com nossas falhas?
Pratique a reflexão enquanto filosofia de vida, essa é a minha dica de hoje. Seja mais paciente, ainda que a paciência seja impensável. Peça, dê licença. Responda “obrigado”, sorria para as pessoas na rua. Se conseguir tal façanha, me ensine a ser assim.
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