quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Clandestino

Cheguei
ninguém viu
encostei
Pé na parede.
Bebi
José Cuervo
Calei.
Olhei
a mulata de largas ancas serpenteando
no salão
Fitei
nos olhos dos machos, desejo
não ousei dançar,
fiquei.
Chorei
Mágoas dum amor qualquer
Desejei
lançar-me à ponta sedosa do punhal
(mas faltou coragem para tal)
hesitei.
Encenei
toda essa farsa, fétida, fosca
a fim de ganhar tempo
e tapear o senso comum - mil olhos vendei.
Brindei, a grossos goles,
À queda, ao levante
Às cores das bebidas dançando na estante
como sereias assassinas e encantadas
Mas foi quando a polícia chegou
pé na porta, estrondo, horror,
confessei
Larga tua arma, é a mim que queres
Sou somente um poeta podre
cujo instrumento - maldita pena branca! -
une ao crime premeditado.
Vou para casa
que prisão alguma basta
a sentença perpétua dum coração
esfacelado.

2 comentários:

Ana Fernandes disse...

NOTA: Eu detestei este poeminha de merda.

Marcus vinicius disse...

Eu não detestei.