terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O discreto charme dos esquisitos

Vá lá, em todo esquisito mora um charme que nós, - até onde pensamos - normais, não sabemos explicar. Eles são desajeitadões, indies, nerds, geeks, grandes demais, parecem não caber em lugar nenhum. Muito magros. Muito gordos. Médios; cabelo no olho, lentes enormes, narizes enfiados em livros, e cacoetes: bem vindo ao estranhamente sedutor universo dos esquisitos. Muitos bonitões dizem ter prazer em zoar esses 'tipões' desde a infância, - isso é muito bem documentado em produções trash-baratas de sessões da tarde dos anos 90 - mas acho que no fundo é por medo. Cientes do charme incomum dessas criaturas exóticas, os fisicamente abençoados tremem na base, se sentem inseguros diante da ameaça de perder a namorada pra um esquisitão. Maginou a humilhação?
O discreto charme dos esquisitos é quase invariavelmente marcado por uma timidez incorrigível. Não que sejam pouco sociáveis, mas são bem excêntricos. Na hora de uma conquista, essa galera acaba desfavorecida justamente pela inabilidade com as palavras, a falta de jeito; coisas que, dependendo da ótica, também podem acabar se convertendo em pontos positivos. Afinal, esquisitão é charme. Esquisitão é tendência. Esquisitão é moda. Oras, não venha me dizer que Marcelo Camelo, Mari Moon, Agyness Deyn, Ringo Star e Quentin Tarantino são normais!
Eu já arrastei um rabinho de olho pra esquisitões na rua. Eles são atraentes, à sua moda. E é interessante ver a locomoção deles, vê-los evolvendo-se pelas ruas e avenidas, chegando atrasados, ensopados de chuva, com mancha de catchup na roupa branca, com um floco distraído de poeira no cabelo. Eles são demais. Sem querer, são a essência do cinema cult e da cultura pop.
Esquisitões estão dominando o mundo, e tenha dito!