quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Quem grita seus males espanta

É bom gritar. Muito. Às vezes, quando eu grito, é como se estivesse colocando pra fora toda espécie de dor, de euforia, de excesso. Gritar é uma espécie de terapia, e a mais barata das terapias. Seus efeitos a longo prazo aliviam, relaxam os músculos, nos deixam com uma ligeiramente tonta, mas profunda sensação de liberdade.
Quando estamos felizes, gritamos. Quando estamos vendo um grande ícone de nossa geração a 300 metros da gente, gritamos, pois sabemos que se em parte vivemos, foi pra ver aquele momento. Gritamos quando um amigo morre, na tentativa de impulsionar a elevação sidérea do seu espírito pela força do nosso grito; na tentativa de expulsar essa dor que se abate sobre o nosso corpo frágil, humano demais.
Tem gente que grita a toa; um modo espirituoso de viver, muito comum entre meninas. Vejo de forma engraçada esses 'gritinhos', mas também interessantes manifestações de felicidade espontâneas. Eu gosto disso, quando estou feliz tenho esse estranho costume de gritar por nada.
O grito é humano, e ninguém ensina. Ele é a primeira coisa que sai de nossas cordas vocais, e às vezes é a última. É um sinal de vida, de socorro. É um sinalizador de que estamos aqui, precisando de alguma coisa, um reclame, que sobe inflamando-nos a boca, que encontra no ar o seu reprodutor.
É bom gritar ao ar livre, num campo bem aberto, sem nenhuma obstrução. Aquele vento batendo nas roupas, passando pelo nosso rosto, braços bem abertos e olhos fechados. Gritar, nem que seja qualquer coisa. "Gerônimo!" "Eu estou vivo (a)!", "Meu nome é (insira-o)!". Sei lá. Pelo menos a mim, quem grita seus males espanta.