segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O mundo misterioso dos andróginos

Sempre achei a androginia um tipo de dom natural. Fico impressionantemente estática ao ver um andrógino passar por mim na rua, na faculdade ou em qualquer lugar. Fico tentando decifrar o código genético, sua impressão no mundo e o seu natural deslocamento. Nunca vi anjos, mas se tivesse esta maravilhosa oportunidade, creio que eles seriam assim, como os andróginos que vagam por nós.
Eles são tão bonitos. E têm uma graça diferente, própria do seu "dom". São suaves. Prendem o meu olhar em seus rostos. Antes de mais nada, não estou falando de homossexualidade, que eu também respeito muito. Estou falando de androginia mesmo. Aquele valsar lento e que, quando termina, deixa nossos olhos com vários nós. Afinal, não sabemos se o que vemos é um homem ou uma mulher; à primeira vista ou sempre. No mundo artístico, minha andrógina favorita é a Tilda Swinton (As crônicas de Nárnia, Constantine, A praia). No filme Constantine então... nossa, ela atingiu o máximo da androginia e este post está sendo criado ao som de "Coming", música de Jimmy Sommerville e trilha de um filme chamado Orlando, de 1992, também com Tilda no elenco. Essa música é maravilhosa, mas ainda é melhor na voz de Edson Cordeiro e adivinham do que ela fala??? rs. Recomendo demais. Pra quem não conhece a super Tilda, tentem David Bowie, o eterno E.T mímico e andrógino Ziggy Stardust. Hoje eu nem o considero tão andrógino quanto ele foi, no pico dos anos 70, mas essa é a melhor imagem que ele produziu de si - e sempre a que lhe é mais associada/lembrada - até hoje. Lembro de uma reportagem que li numa revista sobre androginia, que trazia fotos de pessoas andróginas, logicamente. Achei muito interessante, mas também foi a única que vi nesta revista - minha mãe era assinante. Engraçado, quase não abordam desse tema, que eu acho tão interessante. Por que?
Gente andrógina pode carregar até um mundo inteiro no olhar. Elas bagunçam o nosso campo visual, porque, ao menor desequilíbrio da realidade o homem inquieta-se, e é exatamente isso o que os andróginos fazem. Eles desestabilizam tudo o que era exato, e desfamiliarizam nossas concepções mais primórdias e elementares do que mamãe ensinou sobre menininho e menininha. Eles, no fundo, riem disso, porque sabem que não se enquadram em nenhuma categoria, e têm essa estranha sorte de poder transitar entre os dois sexos com a liberdade de uma ninfa pelos bosques da eterna infância.