domingo, 10 de agosto de 2008

Os hábitos dos outros

Meu vizinho tem o costume de fumar pelo menos um cigarro na garagem às escondidas. Minha mãe toma um copo d'água bem gelado em jejum pela manhã religiosamente. Minha irmã Luana sempre entra na comunidade do botafogo no orkut e troca várias idéias com pessoas que nunca viu pessoalmente. Meu pai, muito freqüentemente nos fins de semana liga sua caixa de som na garagem de casa e ouve (alto) suas músicas prediletas; majoritariamente o soul setentista. Sempre que chego à casa da minha avó Yolanda, ela está assistindo a programação da Canção Nova, uma emissora de TV católica. Meu namorado gosta de me morder.
Tem horas que eu paro e fico olhando pra eles. Que costumes, que jeito, que caras. Em cada milésimo de segundo mora uma expressão que é a marca registrada de cada um, pessoal e intransferível. E não raro estranho os hábitos dos outros. Aliás, acho que a gente metade acostuma, metade se questiona porque as pessoas agem como bem entendem. Principalmente quando o jeito delas em tanto difere do nosso.
Como eu já disse, até me habituei com a água em jejum de mamãe. Com as presepadas (que não consigo ficar sem) do meu tio Lizinho; ou do idioma piriguetês da minha melhor amiga, Elisa. Essas excentricidades, aos nossos olhos, servem para equilibrar nosso próprio universo. Afinal, não seria nada legal ou interessante conviver com pessoas exatamente iguais a nós, e isso é tão clichê de dizer que até cansa. Mas, em verdade, essas coisas, tão fora do meu eixo, fazem a graça dos meus dias.

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